04h19am. Com a vibração do celular avisando uma nova mensagem de texto, Giulia acorda assustada, ela estava sonhando com ele. Então começa com seus martírios de pensamentos, meio dormindo, meio acordada […]
“Meu Deus, será que isso nunca vai ter fim? Já fazem mais de seis meses que tudo acabou, ou melhor, nem tudo. Já que essa merda de sentimento por ele parece não ter fim, parece que nunca vai acabar tudo isso. Eu não consigo esquecê-lo, que idiotice! Como se ele ainda se lembrasse de mim, talvez nem sequer lembre-se do meu nome. Enquanto eu fico aqui, noite após noite perdendo o sono por ele […] Por que ele não fica lá, quietinho na dele? Precisa vir aparecer nos meus sonhos? Tudo bem, eu admito, não é tão ruim pelo fato de que pelo menos sonhando eu o tenho outra vez, mas… Mas… Não, tá tudo errado! Eu tenho que querer distância dele, não só física, mas também emocionalmente. Me recuso a pensar nele, mas só de me preocupar em não pensar, eu já penso. Não agüento isso, essa tortura diária, esse vazio que ele me causa. Agüento menos ainda saber que só ele pode curar esse vazio. Que ódio dele, digo… Que ódio de mim por não conseguir odiá-lo. Ódio desse meu coração imbecil que tem essa mania estúpida de bater na mesma tecla todos os dias, que só chama por ele, como se não existissem milhares de caras melhores por ai. Tantos caras que não usam um perfume barato, aquelas bermudas jeans horríveis, aqueles tênis encardidos e aqueles bonés que eu tinha que implorar pra ele lavar. Tantos caras com carro, que me pagariam jantares, puxariam a cadeira pra eu sentar, me ligariam todos os dias, de minuto em minuto, só pra saber se eu estou bem. O problema de todos esses caras melhores, é que eles não são ele. E não importa quantos deles apareçam na minha vida, eu sempre vou preferir o mesmo babaca que passou dois anos me irritando, entre brigas e reconciliações, términos e voltas. Porque não importava quantas bocas nós beijássemos, a minha sempre chamava pela dele e acabava assim. Nós, sempre. E sabe por que eu ainda não fiquei com nenhum desses “caras melhores”? Porque eu to esperando esse fim: “Nós, sempre” […] To esperando acabar como sempre. Tá demorando mais do que o normal, ta desanimando essa espera, mas por ele…  Por ele sempre valeu a pena. Porque ele é o cara errado, do jeito certo pra mim. É o babaca que eu amo. E toda espera do mundo é pouca, se no fim eu puder tê-lo […] Mas deixa, ele não se lembra mais…” Então ela sai desse meio termo entre dormindo e acordada, lembra-se da mensagem de texto, pega o celular e começa a ler:
“Me perdoa se eu te acordar, eu sei que você odeia. Aliás, tem muitas coisas que você odeia e eu sei todas, né? Acredito que nesse momento, você já deve me odiar. Eu sei que prometi não te procurar, mas… É tão difícil. Eu sou orgulhoso pra caralho, Giulia. Se eu to fazendo isso agora, é porque não to agüentando mais. Eu sei que você tá bem sem mim, você deixou isso bem claro pra mim quando nos falamos pela última vez. Eu ia pedir pra voltar, sabia? Mas eu sempre quis o seu bem, lembra? Então se você tá feliz, melhor assim. Só perdi o sono pensando em você, pensando em nós, mesmo que ele não exista mais. Continua feliz, tá? Eu te amo, pra sempre pequena.”
Era de um número desconhecido, mas ela sabia muito bem quem era. A única pessoa do mundo que a chamava de “pequena” era ele. Aquilo tirou todas as suas forças, inclusive as que ela tinha pra responder aquela mensagem. Então ela só chorou, chorou pelo resto da noite, por ter cometido a idiotice de dizer que estava feliz. Ela repetia baixinho diversas vezes: “Maldito orgulho! Maldito orgulho!” […]
Carol Honorio - (FuckingFeel)
04h19am. Com a vibração do celular avisando uma nova mensagem de texto, Giulia acorda assustada, ela estava sonhando com ele. Então começa com seus martírios de pensamentos, meio dormindo, meio acordada […]
“Meu Deus, será que isso nunca vai ter fim? Já fazem mais de seis meses que tudo acabou, ou melhor, nem tudo. Já que essa merda de sentimento por ele parece não ter fim, parece que nunca vai acabar tudo isso. Eu não consigo esquecê-lo, que idiotice! Como se ele ainda se lembrasse de mim, talvez nem sequer lembre-se do meu nome. Enquanto eu fico aqui, noite após noite perdendo o sono por ele[…] Por que ele não fica lá, quietinho na dele? Precisa vir aparecer nos meus sonhos? Tudo bem, eu admito, não é tão ruim pelo fato de que pelo menos sonhando eu o tenho outra vez, mas… Mas… Não, tá tudo errado! Eu tenho que querer distância dele, não só física, mas também emocionalmente. Me recuso a pensar nele, mas só de me preocupar em não pensar, eu já penso. Não agüento isso, essa tortura diária, esse vazio que ele me causa. Agüento menos ainda saber que só ele pode curar esse vazio. Que ódio dele, digo… Que ódio de mim por não conseguir odiá-lo. Ódio desse meu coração imbecil que tem essa mania estúpida de bater na mesma tecla todos os dias, que só chama por ele, como se não existissem milhares de caras melhores por ai. Tantos caras que não usam um perfume barato, aquelas bermudas jeans horríveis, aqueles tênis encardidos e aqueles bonés que eu tinha que implorar pra ele lavar. Tantos caras com carro, que me pagariam jantares, puxariam a cadeira pra eu sentar, me ligariam todos os dias, de minuto em minuto, só pra saber se eu estou bem. O problema de todos esses caras melhores, é que eles não são ele. E não importa quantos deles apareçam na minha vida, eu sempre vou preferir o mesmo babaca que passou dois anos me irritando, entre brigas e reconciliações, términos e voltas. Porque não importava quantas bocas nós beijássemos, a minha sempre chamava pela dele e acabava assim. Nós, sempre. E sabe por que eu ainda não fiquei com nenhum desses “caras melhores”? Porque eu to esperando esse fim: “Nós, sempre” […] To esperando acabar como sempre. Tá demorando mais do que o normal, ta desanimando essa espera, mas por ele…  Por ele sempre valeu a pena. Porque ele é o cara errado, do jeito certo pra mim. É o babaca que eu amo. E toda espera do mundo é pouca, se no fim eu puder tê-lo […] Mas deixa, ele não se lembra mais…” Então ela sai desse meio termo entre dormindo e acordada, lembra-se da mensagem de texto, pega o celular e começa a ler:
“Me perdoa se eu te acordar, eu sei que você odeia. Aliás, tem muitas coisas que você odeia e eu sei todas, né? Acredito que nesse momento, você já deve me odiar. Eu sei que prometi não te procurar, mas… É tão difícil. Eu sou orgulhoso pra caralho, Giulia. Se eu to fazendo isso agora, é porque não to agüentando mais. Eu sei que você tá bem sem mim, você deixou isso bem claro pra mim quando nos falamos pela última vez. Eu ia pedir pra voltar, sabia? Mas eu sempre quis o seu bem, lembra? Então se você tá feliz, melhor assim. Só perdi o sono pensando em você, pensando em nós, mesmo que ele não exista mais. Continua feliz, tá? Eu te amo, pra sempre pequena.”
Era de um número desconhecido, mas ela sabia muito bem quem era. A única pessoa do mundo que a chamava de “pequena” era ele. Aquilo tirou todas as suas forças, inclusive as que ela tinha pra responder aquela mensagem. Então ela só chorou, chorou pelo resto da noite, por ter cometido a idiotice de dizer que estava feliz. Ela repetia baixinho diversas vezes: “Maldito orgulho! Maldito orgulho!” […]

Comentários